O salário mediano anunciado para um security engineer na Europa é de cerca de 66 000 € por ano nos dados de anúncios de emprego da TalentUp de 2026, mas o intervalo é amplo: de cerca de 40 000 € em Itália a 87 500 € na Irlanda nas funções principais de cibersegurança. A remuneração depende muito do país, da especialização e da senioridade, pelo que uma única «média europeia» é uma má base para uma proposta.
Este benchmark utiliza a base de dados de anúncios de emprego da TalentUp de janeiro a setembro de 2026. Abrange o salário mediano anunciado por país, por função (security engineer, analista SOC, pentester, engenheiro de segurança cloud, arquiteto de segurança) e por senioridade. Mostra também quantos anúncios de cibersegurança surgem em cada país, que competências e certificações as empresas pedem, qual a frequência do trabalho remoto e híbrido e o que a NIS2 e o DORA significam para a procura. Destina-se às empresas que precisam de definir a remuneração destas funções e aos candidatos que querem conhecer o seu valor de mercado.
Pontos-chave
- O salário mediano anunciado para security engineers em sete países europeus é de cerca de 66 000 € (n = 301 anúncios com salário).
- Nas funções principais de cibersegurança, lideram a Irlanda (87 500 €) e os Países Baixos (74 000 €); Espanha (50 000 €) e Itália (40 000 €) são os que pagam menos entre os países que conseguimos medir.
- Os arquitetos de segurança (80 900 €) e os engenheiros de segurança cloud (77 400 €) ganham mais do que os analistas SOC e de segurança (55 200 €).
- No Reino Unido, um título senior ou lead acrescenta cerca de 37% à mediana das funções sem nível indicado; na Polónia, cerca de 14%.
- Python, Azure, SIEM e AWS são as competências mais pedidas; a CISSP é a certificação mais citada (19,1% dos anúncios).
- Surgiram cerca de 33 400 anúncios únicos de cibersegurança em 18 países entre janeiro e setembro de 2026, aproximadamente 0,7% de todos os anúncios de emprego.
Salário de security engineer por país
A tabela mostra os salários anuais medianos anunciados em 2026 para as funções principais de cibersegurança: security engineers, analistas SOC e de segurança, pentesters, engenheiros de segurança cloud, arquitetos de segurança e CISOs. Só apresentamos países com pelo menos 45 anúncios com salário após a eliminação de duplicados.
| País |
Salário mediano anunciado |
50% central (P25–P75) |
Anúncios com salário (n) |
| Irlanda |
87 500 € |
70 000–110 000 € |
46 |
| Países Baixos |
74 000 € |
62 400–85 900 € |
58 |
| Reino Unido |
68 900 € (≈ 59 900 £) |
51 900–91 800 € |
254 |
| Polónia |
66 200 € |
53 600–80 500 € |
169 |
| Espanha |
50 000 € |
38 600–70 000 € |
56 |
| Itália |
40 000 € |
31 000–57 500 € |
49 |
Três aspetos a ter em conta na leitura destes valores:
- A Alemanha, a França, a Áustria e a Suíça não constam propositadamente. Poucos anúncios nesses países indicam o salário (16 anúncios de funções principais na Alemanha, 31 em França, 22 na Áustria), pelo que uma mediana não seria fiável. A pequena amostra alemã aponta para medianas bem acima de 80 000 €, mas não a apresentamos como benchmark.
- A Polónia surge alta devido à origem dos dados. A maioria dos anúncios polacos com salário provém de portais de emprego de IT onde os intervalos salariais são obrigatórios e as tarifas de prestação de serviços (B2B) são comuns. As tarifas B2B são normalmente mais altas do que os salários com contrato de trabalho, porque é o próprio profissional que paga a sua segurança social.
- A dispersão dentro de cada país é grande. No Reino Unido, os 50% centrais dos anúncios vão de cerca de 52 000 € a 92 000 €. A especialização e a senioridade, analisadas abaixo, explicam a maior parte dessa diferença.
Para comparar os níveis salariais entre polos tecnológicos de forma mais ampla, consulte a nossa análise das principais cidades tecnológicas.
Salários de analistas SOC, pentesters, arquitetos e outras funções de segurança
«Security engineer» é um termo abrangente. As funções que engloba têm oferta, procura e remuneração diferentes, pelo que deve fazer o benchmark da função específica e não da família.
| Função |
Salário mediano anunciado |
50% central (P25–P75) |
Anúncios com salário (n) |
| Arquiteto de segurança |
80 900 € |
70 000–96 500 € |
64 |
| Engenheiro de segurança cloud |
77 400 € |
55 500–95 100 € |
49 |
| Engenheiro DevSecOps |
67 100 € |
44 000–81 200 € |
83 |
| Security engineer |
66 000 € |
52 200–85 000 € |
301 |
| Pentester |
62 100 € |
46 400–86 400 € |
42 |
| Analista SOC / de segurança |
55 200 € |
42 500–73 900 € |
192 |
Dados agregados do Reino Unido, Polónia, Países Baixos, Espanha, Itália, França e Irlanda, janeiro–setembro de 2026. O Reino Unido e a Polónia representam a maioria dos anúncios em todas as linhas, pelo que a tabela deve ser lida como uma classificação de funções e não como uma média europeia.
A classificação reflete o peso de cada função nas decisões e a escassez da experiência. Os arquitetos desenham controlos para toda a organização. Os engenheiros de segurança cloud combinam dois perfis que, cada um por si, são escassos. Entre os analistas SOC há muitas funções de entrada e por turnos, o que baixa a mediana.
O Reino Unido, o único mercado com dados suficientes para comparar funções dentro do mesmo país, mostra o mesmo padrão: security engineers com 65 800 € (n = 117) e analistas SOC e de segurança com 62 800 € (n = 79). Os anúncios de CISO e head of security raramente publicam o salário: apenas 15 o faziam na nossa amostra, poucos demais para um valor fiável.
Para funções que mal existiam há alguns anos, como a de AI security engineer, consulte como definir intervalos salariais para funções emergentes.
Como a senioridade altera a remuneração em cibersegurança
Agrupámos os anúncios com salário segundo a senioridade indicada no título da função. Os anúncios sem nível no título (o maior grupo) são sobretudo funções de nível intermédio.
| Senioridade no título |
Reino Unido |
n |
Polónia |
n |
| Junior, graduate ou trainee |
39 300 € |
29 |
não apresentado |
11 |
| Sem nível indicado |
58 800 € |
274 |
63 500 € |
182 |
| Senior, lead, principal ou staff |
80 600 € |
118 |
72 600 € |
103 |
| Manager, head ou director |
75 700 € |
69 |
67 100 € |
31 |
No Reino Unido, um título senior ou lead acrescenta cerca de 37% à mediana dos anúncios sem nível, e as funções junior pagam cerca de um terço menos. Na Polónia, o salto é menor (14%), em parte porque muitos anúncios polacos sem nível já são funções de prestadores de serviços com experiência.
Os títulos de manager nem sempre pagam mais do que os títulos técnicos seniores. «Security manager» abrange desde uma função de segurança unipessoal numa pequena empresa até uma grande equipa de SOC, enquanto os engenheiros «principal» e «staff» das grandes tecnológicas recebem no topo do mercado.
Os profissionais do setor alertam para o erro de ler as médias como a remuneração típica. Taz Wake, especialista em resposta a incidentes na Halkyn Consulting e autor de cursos do SANS, fez essa observação sobre os salários no Reino Unido depois de ver um fornecedor de formação anunciar uma média de 72 000 £:
Taz WakeAutor de cursos do SANS (FOR577, FOR608), Halkyn Consulting
As funções de entrada (ou seja, as que estão disponíveis para quem acabou de concluir a formação) rondam as 25 000-40 000 £ (mais em Londres, menos noutros locais). As funções de SOC sénior e de pentester de nível médio-alto vão aproximar-se das 65 000-70 000 £, mas isso é para pessoas com experiência, competência, aptidão, etc. […] A média é distorcida por um pequeno número de pessoas que ganham 150 000-200 000 £ por ano face a um número enorme que ganha 30 000 £.
Procura de profissionais de cibersegurança na Europa
Entre janeiro e setembro de 2026, a TalentUp registou cerca de 33 400 anúncios únicos com títulos de cibersegurança em 18 países europeus (47 400 antes de remover os duplicados publicados em vários portais). Isto corresponde a cerca de 0,7% de todos os anúncios de emprego nesses países.
33 400
anúncios únicos de cibersegurança
66 000 €
de salário mediano anunciado para security engineers (n = 301)
19,1%
dos anúncios citam a CISSP
27%
dos anúncios mencionam trabalho híbrido
Fonte: base de dados de anúncios de emprego da TalentUp, janeiro–setembro de 2026, 18 países europeus.
| País |
Anúncios únicos de cibersegurança, 2026 |
Por cada 1 000 anúncios |
| Espanha |
4 350 |
6,9 |
| França |
3 690 |
5,9 |
| Alemanha |
3 430 |
5,5 |
| Reino Unido |
3 400 |
4,6 |
| Itália |
3 390 |
6,1 |
| Polónia |
2 700 |
9,1 |
| Países Baixos |
2 420 |
5,6 |
| Portugal |
2 350 |
14,9 |
| Irlanda |
1 540 |
10,0 |
Por função, os anúncios únicos dividem-se em cerca de 6 640 de security engineer, 4 840 de analista SOC e de segurança, 1 770 de DevSecOps, 1 470 de arquiteto de segurança, 1 250 de segurança cloud, 1 080 de pentester e 550 de CISO ou head of security. Os restantes são anúncios para consultores, especialistas em GRC e risco, security managers e outros títulos de cibersegurança.
Portugal, a Irlanda e a Polónia têm o maior peso de anúncios de cibersegurança. Os três acolhem grandes centros de serviços partilhados, nearshore e tecnológicos que recrutam equipas de segurança para o resto da Europa.
Quanto à tendência: os anúncios de cibersegurança representaram entre 0,6% e 0,8% do total no mesmo período de janeiro a setembro de 2024, 2025 e 2026. Os portais de emprego da nossa base de dados mudaram entre esses anos, pelo que não interpretamos estes valores como crescimento ou diminuição. Fora dos nossos dados, a ENISA estimou a escassez de profissionais de cibersegurança na UE em cerca de 300 000 pessoas.
Para ver como a segurança se compara com outras funções tecnológicas, consulte as profissões mais populares em IT em 2026.
Competências e certificações de security engineer que as empresas pedem
Analisámos o texto completo de cerca de 4 000 anúncios de cibersegurança de 2026. A primeira tabela abrange as funções principais de segurança (cerca de 2 100 anúncios); a tabela de certificações abrange os 4 000.
| Competência ou ferramenta |
Percentagem dos anúncios de funções principais de segurança |
| Python |
31,6% |
| Microsoft Azure |
27,2% |
| SIEM (Splunk, Microsoft Sentinel, QRadar e outros) |
26,4% |
| AWS |
26,2% |
| Gestão de vulnerabilidades |
21,5% |
| Firewalls (Palo Alto, Fortinet, Check Point) |
20,3% |
| Kubernetes |
17,3% |
| ISO 27001 |
17,2% |
| Terraform / infraestrutura como código |
17,0% |
| Referenciais NIST |
16,9% |
| Gestão de identidades e acessos (IAM) |
16,2% |
| EDR / XDR |
15,2% |
| Certificação |
Percentagem dos anúncios de cibersegurança |
| CISSP |
19,1% |
| CISM |
12,4% |
| GIAC / SANS |
7,3% |
| CISA |
6,1% |
| CEH |
5,6% |
| OSCP |
5,1% (cerca de metade dos anúncios de pentester) |
| CompTIA Security+ |
5,1% |
| CCSP |
3,9% |
O perfil que as empresas procuram é um engenheiro que programa e trabalha na cloud, e não apenas alguém que opera ferramentas de segurança. Python, Azure e AWS aparecem, cada um, em mais anúncios de funções principais de segurança do que qualquer certificação isolada.
As certificações contam, mas sobretudo para funções específicas. 29,4% dos anúncios citam pelo menos uma certificação de segurança. A CISSP e a CISM dominam nas funções de governação, arquitetura e gestão. A OSCP é a referência nas funções ofensivas: aparece em 69 de 140 anúncios de pentester. A ISO 27001 surge em 23,4% de todos os anúncios de cibersegurança, mais vezes como referencial a implementar do que como certificado a deter.
Os líderes de segurança com experiência também alertam contra a triagem baseada apenas em certificados. Jim Seaman, consultor de segurança e risco no Reino Unido, antigo oficial de contrainformação da Polícia da RAF e autor de livros da Apress sobre PCI DSS e segurança de proteção, resumiu-o assim:
JS
Jim SeamanConsultor de cibersegurança e risco, autor de PCI DSS: An Integrated Data Security Standard Guide (Apress)
O recrutamento em cibersegurança está avariado ao nível dos especialistas. Não por falta de talento, mas porque a forma como muitas organizações fazem a triagem desse talento foi pensada para funções administrativas, e não para trabalho de segurança e risco em que há muito em jogo. […] Os certificados podem abrir a porta, mas é a experiência que impede o fogo de se alastrar quando as coisas correm mal.
No Reino Unido, 20,7% dos anúncios de cibersegurança mencionam a credenciação de segurança (SC, DV ou semelhante), sobretudo em trabalho para a defesa e o setor público. Isso reduz o leque de candidatos e faz subir a remuneração dos candidatos credenciados.
Trabalho remoto e híbrido nas funções de segurança
Cerca de 27% dos anúncios de cibersegurança que analisámos mencionam trabalho híbrido, e cerca de 4% anunciam uma função totalmente remota. Aproximadamente 46% mencionam trabalho remoto, híbrido ou a partir de casa de alguma forma, mas este valor mais amplo inclui propostas parciais e condicionais.
O modelo híbrido é mais explícito no Reino Unido (45%), na Polónia (44%) e na Irlanda (40%), e menos explícito em França (12%) e Itália (16%), onde os anúncios mencionam muitas vezes télétravail ou smart working sem descrever um modelo híbrido. As funções totalmente remotas são raras em todo o lado: as funções de SOC exigem cobertura por turnos, e muitas funções do setor público e da defesa exigem trabalho presencial ou credenciado.
Para as empresas de mercados mais pequenos, as opções híbridas ou remotas são a forma mais simples de alargar o leque de candidatos. Mas as contratações remotas implicam decisões salariais em função da localização que convém resolver antes de publicar a função.
NIS2, DORA e o Regulamento de Ciber-Resiliência: porque é que a procura continua a crescer
Três atos legislativos da UE alargam o número de organizações que precisam de competências de segurança internas ou contratadas:
| Ato |
A quem se aplica |
Datas-chave |
Percentagem dos anúncios de cibersegurança que o mencionam |
| Diretiva NIS2 (UE) 2022/2555 |
Entidades médias e grandes de 18 setores, incluindo energia, transportes, saúde, finanças, infraestruturas digitais, fabrico de produtos críticos e administração pública |
Prazo de transposição: 17 de outubro de 2024; aplica-se através das leis nacionais |
7,3% (16,2% em Itália) |
| Regulamento DORA (UE) 2022/2554 |
Cerca de 20 tipos de entidades financeiras e os seus prestadores críticos de serviços de TIC |
Aplica-se desde 17 de janeiro de 2025 |
4,1% |
| Regulamento de Ciber-Resiliência (UE) 2024/2847 |
Fabricantes de produtos com elementos digitais |
Obrigações de notificação a partir de 11 de setembro de 2026; obrigações principais a partir de 11 de dezembro de 2027 |
0,6% |
A NIS2 torna os órgãos de direção responsáveis pela gestão dos riscos de cibersegurança, o que leva a despesa em segurança ao nível do conselho de administração. Aplica-se através da lei nacional de cada Estado-Membro, e vários países transpuseram-na com atraso, pelo que as obrigações e os prazos diferem de país para país. O DORA aplica-se diretamente em todos os Estados-Membros e exige gestão do risco de TIC, notificação de incidentes e testes de resiliência, o que impulsiona a procura de arquitetos de segurança, especialistas em GRC e pentesters em bancos e seguradoras.
A Itália destaca-se nos nossos dados: 16,2% dos anúncios italianos de cibersegurança mencionam a NIS2, mais do dobro da média europeia.
Como fazer o benchmark de salários de security engineer
Para as empresas, os dados apontam para cinco regras práticas:
- Faça o benchmark da função específica. Um analista SOC, um engenheiro de segurança cloud e um arquiteto de segurança diferem em 25 000 € ou mais na mediana. Associe cada função à função específica mais próxima antes de olhar para os números.
- Utilize dados por país, e não uma média europeia. A Irlanda paga mais do dobro de Itália. Se recruta em vários países, defina primeiro uma política salarial por localização.
- Valorize as competências escassas. A credenciação de segurança, a segurança cloud, a segurança ofensiva (OSCP) e as credenciais de governação (CISSP, CISM) reduzem o leque de candidatos. Posicione estas contratações acima da mediana do respetivo país.
- Lembre-se de que o salário anunciado não é o salário pago. Os anúncios mostram o que as empresas oferecem para atrair candidatos. Utilize-os para conhecer o intervalo de mercado e recorra ao benchmarking salarial da remuneração efetiva para definir as bandas.
- Publique um intervalo que consiga defender. Onde se apliquem as leis nacionais que transpõem a Diretiva europeia relativa à transparência salarial, as empresas têm de dar informação salarial aos candidatos antes da entrevista. Os candidatos de segurança comparam propostas com atenção, pelo que um intervalo vago ou baixo faz perder candidaturas. Consulte como redigir anúncios de emprego com salário transparente.
Para os candidatos, os mesmos dados são uma ferramenta de negociação: encontre a mediana da sua função e do seu país e defenda a sua posição face a ela com a sua senioridade, as suas competências em cloud e as suas certificações. Pode consultar intervalos de mercado gratuitamente com a ferramenta de benchmarking salarial e transparência salarial da TalentUp.
Fontes